Falando sobre envelhecimento ativo

Envelhecer em família

Bruna Gontijo Magalhães é psicóloga CRP 04/37109

Um desejo comum à maioria das pessoas é o de viver por muitos anos. Você já pensou de quais pessoas gostaria de ter a companhia ao envelhecer? É possível prolongar a vida com qualidade e ainda estar no convívio da família? Ou será que envelhecer é sinônimo de solidão e finitude?

Nos últimos anos temos presenciado um aumento da população idosa. Na contramão a este crescimento, o que temos acompanhado é que muitas pessoas ao chegarem nesta fase da vida estão perdendo seu lugar e sua voz ao serem excluídas de seu convívio familiar e social devido a asilamentos. Em resposta ao nosso despreparo em vivenciar e pensar sobre esta etapa, culturalmente aprendemos a negar e a tentar adiar ao máximo o envelhecimento, desta forma, compreendendo este processo como sendo negativo e indesejável.

O envelhecimento é um processo irreversível e que provoca inúmeras transformações individuais e familiares. A perda da autonomia e da independência, comuns a esta etapa, levam a pessoa idosa a necessitar de cuidados prolongados de seus familiares. Estas novas exigências afetam tanto o idoso, que passa a ocupar o lugar de ser cuidado, quanto a família, que por muito tempo pode ter sido responsabilidade e também cuidada por este membro. Não raro, as tarefas referentes aos cuidados são direcionadas a apenas um familiar, e geralmente, este papel de cuidador é ocupado por mulheres, que também possuem uma jornada de trabalho dentro e fora de casa, o que contribui para o aumento da sobrecarga emocional e física em cuidar.

Todas estas mudanças podem levar a muitas tensões e dificuldades no convívio em família, pois exigem uma reestruturação da dinâmica familiar e possivelmente uma reorganização das funções exercidas pelos seus membros. Logo, tanto o idoso quanto seu sistema familiar necessitam de atenção e cuidados especiais para lidarem de forma mais segura e saudável com esse processo.

Em meio a tantas mudanças, limitações e perdas, é comum que o idoso se apegue ao que lhe é conhecido, como suas memórias e lembranças dos tempos de juventude que são contadas repetidas vezes, seus objetos e pertences pessoais gastos pelo tempo e dos quais se recusa desfazer, os lugares que deseja morar e frequentar por serem habituais e também por compor parte de suas histórias, e as pessoas conhecidas das quais buscam ter sempre a companhia.

Esse apego é uma maneira do idoso conseguir reforçar seu sentimento de pertencimento. Neste sentido, estar em família e envelhecer com a companhia, presença e participação da família, pode ser uma alternativa mais saudável de vivenciar este processo, pois é a família que dá sentido a existência do ser humano. Quanto mais participativo da vida familiar o idoso estiver, mais recursos terá para enfrentar as alterações decorrentes do envelhecer.

Através do acolhimento e da construção de novas formas de comunicação e interação, a Terapia Familiar Sistêmica tem por objetivo auxiliar o idoso e sua família a enfrentarem as novas exigências desta etapa do ciclo vital, contribuindo na diminuição do sofrimento, promovendo maior qualidade de vida de todos e de cada um individualmente, além de ser um suporte psicológico muito importante para o bem-estar e o bom relacionamento familiar.

Envelhecer em família é reconhecer o envelhecimento como um processo natural, em que, o pertencimento e a trocas afetivas nas relações familiares são mais presentes que o medo limitante da finitude.

A importância da fonoaudiologia para o envelhecimento ativo

Ana Carolina Quirino de Souza é fonoaudióloga (CRFa 6-9176)

Você já parou para pensar como a fonoaudiologia pode auxiliar no combate aos efeitos do envelhecimento? Antes de responder a esta questão é interessante que possamos identificar alguns sinais de envelhecimento que prejudicam a vida da população idosa. Você já observou que alguns idosos sempre pedem para repetir o que acabou de ser dito? Ou que durante as refeições em família engasgam ou tossem com frequência enquanto estão se alimentando? Ou ainda que não consiga lembrar o nome de um objeto que necessita ou do parente que sempre participa dos encontros familiares? A dificuldade para ouvir, a inabilidade para deglutir, a necessidade de ajuda para lembrar nomes e histórias são alguns exemplos dos problemas que acometem a população durante o envelhecimento. A população idosa tem crescido de forma significativa em todo o mundo, o que nos faz refletir sobre a necessidade de oferecer suporte adequado e especializado para essa população. Podemos fazer isso promovendo políticas públicas que priorizem a educação, a promoção e a prevenção em saúde para identificar precocemente os prejuízos e fatores de risco que podem impedir que as pessoas vivam de maneira independente e autônoma.

Nesse cenário, a fonoaudiologia contribui por ter uma área de atuação ampla e por desenvolver um trabalho muito importante junto à população idosa, já que os impactos do envelhecimento podem causar déficits comunicativos, dificuldades nos processos alimentares, perda de audição, alterações na voz, na memória e até no equilíbrio. E o fonoaudiólogo é o profissional que trabalha com todos os aspectos da comunicação humana, incluindo as funções de deglutição, mastigação e equilíbrio. Esse profissional é capaz de trabalhar para amenizar os danos causados por perdas e dificuldades diversas que atrapalham a pessoa a se expressar ou compreender qualquer mensagem.

Além de fortalecer a musculatura para melhorar a mastigação, deglutição e a fala, o trabalho estimula a memória, a atenção, reabilita a função de equilíbrio, reduzindo assim possíveis riscos de quedas, melhorando assim a qualidade de vida do paciente. Toda essa discussão se faz ainda mais relevante quando sabemos que esses tipos de comprometimento podem, trazer também problemas sociais e emocionais associados.

É comum encontrar idosos que evitam encontros com familiares e amigos, pois possuem dificuldade para ouvir, ou estão com a voz fraca, e se sentem desconfortáveis com a situação. Esses são os idosos que muitas vezes optam por ficar calados e isolados.

A fonoaudiologia pode trabalhar então com estratégias adequadas para que as pessoas tenham um envelhecimento bem – sucedido, caracterizado por baixa suscetibilidade a doenças, elevada capacidade funcional e acompanhado de uma postura ativa perante a vida e a sociedade.

Estou envelhecendo, e agora?

Daniela Mendes dos Santos é terapeuta ocupacional (CREFITO 4 /16428-TO)

O que você pensa sobre o envelhecimento?  Diferentes experiências de vida criam diferentes formas de imaginar e vivenciar o envelhecer. As crenças e costumes dos diferentes países e continentes influenciam no valor que damos ao envelhecimento. Há quem diga que o envelhecimento é marcado pela aposentadoria e conquista de tempo livre para realizar a viagem dos sonhos novos projetos, ou tempo livre para descanso. Já outros relacionam o envelhecimento às doenças e perdas funcionais.

Parece um tanto curioso, mas o envelhecimento é um processo que se inicia desde nossa concepção no útero da mãe. Sendo assim, concorda comigo que vivemos em processo de envelhecimento? Por que, então, o medo de envelhecer? Estamos acostumados a uma rotina intensa de atividades, trabalho, cursos, encontro com amigos, reuniões em família, trabalho voluntário, crochê, conversa com a vizinha no passeio, novelas entre outros. E acabamos por deixar a construção de hábitos de vida saudáveis para cada vez mais perto da “velhice” e raramente planejamos nossa aposentadoria. “E se a aposentaria chegar e eu não estiver preparado para me afastar das atividades que sempre deram sentido à minha vida? E se eu não conseguir me aposentar”? “E se por alguma condição de saúde eu não puder mais trabalhar, cuidar da minha casa e dos netos”? “E se minha “memória” falhar e eu não conseguir mais ler um livro, ir sozinho ao supermercado ou mesmo não conhecer mais meus filhos”? Essas perguntas nos instigam a refletir sobre o planejamento de um futuro com qualidade de vida. Por isso a Terapia Ocupacional busca auxiliar no resgate, construção e alcance de projetos de vida significativos para a vida de cada indivíduo.

Vamos pensar nas pessoas idosas que conhecemos: há algumas que são ativas e fazem de tudo sem dificuldade; nesse caso, os terapeutas ocupacionais vão trabalhar prevenindo doenças e incapacidades, na maioria das vezes com atividades em grupo. Há pessoas idosas que apresentam alguma condição de saúde (doença) que pode se agravar com o tempo; nesse caso, os terapeutas ocupacionais vão trabalhar com atividades que ajudem a melhorar os hábitos ruins de saúde e prevenir que a doença evolua para um estágio crônico. E, no caso de pessoas idosas com doenças crônicas e/ou com incapacidades, os terapeutas ocupacionais vão realizar a reabilitação e indicação de adaptações e de tecnologia assistiva.

Ao entrar em contato com uma pessoa idosa, o Terapeuta Ocupacional busca conhecer sua história de vida e seus hábitos, preferências e dificuldades realizando uma avaliação ampla para levantar as habilidades, os facilitadores e as barreiras na rotina de cada indivíduo. Os atendimentos poderão ser realizados individualmente ou em grupo, dependendo da necessidade do idoso. Os atendimentos em grupo criam um espaço de trocas e vivência que oferecem muitos benefícios para os idosos.

Não sabemos quantos anos vamos viver, por isso precisamos buscar hábitos de vida saudáveis e estímulos que nos auxiliem a manter a qualidade de vida.

E agora? O que você pensa sobre o envelhecimento?

Por que é tão difícil envelhecer?

Dra. Liliane Cristina de Além-Mar e Silva é psicóloga e neuropsicóloga - CRP 04/23475

De repente… 30… 40… 50… 60! Cabelos brancos, rugas, cansaço, dor no ciático, aumento do grau dos óculos, pele menos elástica, consultas médicas mais frequentes, climatério, exame de toque prostatal, aumento dos gastos com farmácia, eita, quanta mudança repentina! E quanta coisa desconhecida, e não planejada! Por que é tão difícil envelhecer?

Por incrível que pareça, mesmo o corpo das pessoas mais saudáveis durante a vida jovem deixa de ser silencioso durante o processo do envelhecimento. E o estranhamento das novidades físicas não surge sozinho, ele vem muito bem acompanhado por desconfortos muito marcantes: a sensação de solidão, o medo de depender de cuidados de alguém, o sentimento de inutilidade ou de perda de função e reconhecimento na vida profissional e mesmo na família, a dificuldade de aceitar o modo de pensar das gerações mais jovens, os questionamentos das boas e más escolhas feitas durante a vida, a dor de observar o aumento de frequência de adoecimento e mortes de pessoas próximas e queridas, o pavor das doenças que nos parecem tirar a liberdade de escolher e emitir opiniões. Nossa... realmente é muito difícil envelhecer!

A sensação é a de que o envelhecimento parece chegar para tirar a paz que demorou ser conquistada após a euforia e correria pela vida, após infinitas lutas e ajustes para a própria manutenção da família e conquista pela sobrevivência diária enquanto jovem. Parece que essa paz que deveria ter sido vivida sequer chegou a ser sentida, apenas foi possível perceber a sua perda em função do tumulto excessivo que as perdas físicas e as angústias do envelhecimento trouxeram. Com tudo isso, seria então possível não ser difícil envelhecer? Ou seria possível pensar em formas de contornar essas dificuldades?

Para responder a essas perguntas gostaria de apelar para alguns conteúdos da física. Sabemos que dois corpos não ocupam um mesmo lugar, assim como não estamos no buraco negro, portanto, em nossa vida diária, tudo está ocupado por alguma coisa, inclusive os nossos pensamentos. Por exemplo, quando bebemos a água de um copo o ar do ambiente rapidamente ocupa o lugar onde estava a água, e o copo fica cheio de ar, ele não fica vazio. Isto quer dizer, de forma bastante simples, que se durante nossas vidas e nosso processo de envelhecimento mantivermos preenchidos os nossos “recipientes”, possivelmente diminuiremos alguns sentimentos de vazio, medo, insegurança, não aceitação e demais dificuldades. Ou seja, cuidaremos de sermos mentalmente mais saudáveis, mais adaptáveis às mudanças impostas pela vida e seremos mais felizes.

Podemos, por exemplo, ocupar o vazio deixado pela morte de um ente querido pelo nascimento de um neto ou por reuniões mais frequentes com amigos amados. Assim como o da ausência do trabalho pela aposentadoria por um trabalho voluntário na comunidade e por atividades físicas para cuidados com a saúde para que possivelmente nunca se teve tempo.

Resumindo, o preenchimento dos vazios trazidos pelo envelhecimento por outros recheios, também ricos de sentimentos e importância, é uma promessa saudável e feliz para quem deseja facilitar os entraves naturalmente gerados por esta fase da vida.

A Saúde Mental na Terceira Idade

Alberto Garcia Dornelas é médico psiquiatra (CRM-MG 57649/CRM-SP 193840) especialista em psiquiatria da Infância e Adolescência.

Antes de discutirmos a Saúde Mental propriamente dita, precisamos contextualizá-la com o envelhecimento humano, que pode ser definido como um processo que é influenciado por diversos fatores e que evolui ao longo de toda uma vida. Com um olhar biológico, podemos dizer que ele é entendido como um processo sequencial, individual, acumulativo, natural, e próprio a qualquer ser humano. Já com um olhar social, o desenvolvimento pode ser entendido como um conjunto de mudanças pessoais acerca dos papeis individuais de cada um e as formas como se dão os relacionamentos sociais à medida que o ele acontece.

E a saúde nessa história, onde fica?  Segundo a OMS, saúde é definida como um estar de completo bem-estar físico, mental e social. Quanto à saúde mental, ela pode ser entendida como um equilíbrio entre as predisposições individuais e das interações com o meio, que permite que o indivíduo desenvolva suas potencialidades e alcance as satisfações de suas necessidades.

À medida que se envelhece, novos desafios surgem. O corpo muda: os músculos não são tão fortes como antes, os cabelos embranquecem, surgem rugas, problemas de visão e audição se tornam relativamente comuns.  Transformações sociais acontecem aos poucos: caminha-se para a aposentadoria e, com ela, mudanças na rotina diária de vida se impõem. Os filhos, quando presentes, estão crescidos e em processo de construção da própria história, o que, em boa parcela das situações, faz com eles fiquem distantes dos pais. Preocupações sobre segurança financeira e ambiental (moradia, segurança, apoio social) se apresentam.  E esse conjunto de mudanças trazem consigo, questionamentos diversos. Assim, o aparecimento de comorbidades clínicas, experiências subjetivas de falta de propósito, baixo suporte social, dificuldades financeiras, limitações funcionais, dentre outros, contribuem para o comprometimento da Saúde Mental.

Mas por que a Saúde Mental deve ser motivo de atenção especial à medida que envelhecemos? Pelo fato desses problemas serem relativamente frequentes! Segundo a OMS, cerca de 15% das pessoas com mais de 60 anos apresentam algum quadro de adoecimento mental. Já o CDC (Centers for Disease Control and Prevention) estima em 20% o número de idosos que apresentam algum tipo de problema relacionado a esse campo. Depressão acomete cerca de 4-5% dos idosos, porém, quando hospitalizados ou institucionalizados, chega a 30%.  Transtornos de ansiedade, declínio cognitivo e uso de drogas também são relativamente frequentes.

Nessa fase da vida, o adoecimento mental tem suas particularidades. Por exemplo: a depressão no idoso se apresenta com mais queixas somáticas, prejuízos cognitivos e sintomas psicóticos, quando se compara com a apresentação em outras faixas etária. Por vezes, um quadro depressivo precede, se associa ou é até mesmo confundido com um quadro demencial.  Sintomas de ansiedade frequentemente se associam a receio do adoecimento físico, perda de autonomia e receio de abandono.

Portanto, estar atento ao envelhecimento para que ele ocorra de maneira saudável e ativa é fundamental. E para que isso ocorra são necessários cuidados com o processo de envelhecimento, somando a adequações alimentares, realização de atividades físicas regulares, otimização dos cuidados de segurança, saúde e maior envolvimento em atividades sociais, permitindo-se apreciar momentos de lazer e envolvimento social.

Quais fatores garantem a saúde mental na terceira idade?

Dr. André Luiz Moreno é psicólogo (CRP 04/ 38636)

Quais os fatores estão relacionados ao adoecimento mental? Nesse tribunal, todos os participantes exercem papeis mistos, em que é difícil explicitar quais os vilões universais. Frequentemente observamos que um fator de proteção para saúde mental de alguns e ao mesmo tempo fator de vulnerabilidade para o adoecimento de outros. O fato é que não há idade para ter saúde mental, assim como para adoecer. Porém, alguns fatores relacionados à terceira são importantes de serem destacados para analisar essa questão.

O primeiro deles é a diminuição da funcionalidade social, parcialmente relacionada à aposentaria ou às mudanças nos papéis sociais exercidos até então. Em muitos cenários, o envelhecer é acompanhado de transformações que levam a pessoa a questionar sua utilidade, seu valor, seu papel. Uma boa maneira de conduzir essas transformações pode levar a uma visão prazerosa e recreativa da terceira idade, levando à reinvenção de ocupações e funcionalidades associadas ao desenvolvimento. Para outros, no enquanto, alguns desses aspectos podem influenciar o desenvolvimento de um senso de inutilidade, como se fosse um fardo a ser carregado.

O segundo deles é um fator que em fases anteriores da vida só é matéria de preocupação para os mais ansiosos, mas que na medida em que o envelhecer acontece se torna cada vez mais palpável: a finitude da vida. Enquanto muitos conseguem transformar essa preocupação em combustível para nutrir os anos futuros de vida, muitos a transformam em motor para a desesperança e para a sensação de que nada mais pode ser feito e realizado.

Por último, as mudanças no suporte social. Não raramente, o envelhecer é acompanhado por alterações nas composições dos lares, fazendo com que muitas das vezes o idoso se encontre sem a companhia constante dos familiares até então presentes. Para alguns, esse evento é uma oportunidade para viver sem o julgamento de outros as liberdades de uma vida mais privada. Para outros, a solidão se configura como uma das piores características dessa fase de vida, e está intimamente ligado à sensação de que não é mais amado ou querido.

Se não existe um fator decisivo para o adoecimento mental, sabe-se que alguns podem ser para a manutenção da saúde mental. A manutenção do senso de identidade, o fortalecimento da percepção de valor, e o afeto genuíno são alguns desses. O acompanhamento profissional atento aos cuidados específicos dessa faixa etária, também. Mas, por fim, independente da mobilidade, manter-se ATIVO.

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