“Não sei, só sei que foi assim”: um pouco sobre hábitos e seu funcionamento.

“Não sei, só sei que foi assim”: um pouco sobre hábitos e seu funcionamento.

Raquel Cornélio Marin (CRP  04/IS00833)

André Luiz Moreno (CRP 04/ 38636)

 Antes de iniciar essa leitura, um desafio: você̂ se lembra quais são as três primeiras atividades que você faz todas as manhãs (após já́ estar acordado e em pé́, ok?)?

Provavelmente você deve chegar a algo relacionado à lavar o rosto, os dentes ou checar as redes sociais no celular após ter resgatado a manhã de hoje na sua memória. Agora mesmo, nesse momento, talvez você esteja lendo esse texto em um lugar, ou em um horário, ou em uma posição que é “de costume” para momentos de leitura, certo? Pronto. Você foi apresentado ao tema desse texto: comportamentos que costumeiramente temos, mesmo que não saibamos discriminar exatamente quais são, nem como são feitos. Os hábitos!!!

Compreender os hábitos envolve discutir nosso funcionamento cognitivo, ou seja, como captamos estímulos, processamos informações e emitimos respostas ao nosso ambiente. Envolve também avaliar como essas respostas se caracterizam em tomadas de decisões simples e complexas, e como essas decisões interferem em nossa vida. Essas discussões envolvem muitas áreas do saber, tais como Psicologia, Neurologia, Inteligência Artificial, Filosofia, Linguagem e Economia; e tem ganhado grande destaque nas produções e prêmios científicos nos últimos 20 anos.

A primeira ideia que devemos entender sobre o funcionamento cognitivo é que nosso cérebro trabalha constantemente para economizar energia, o que chamaremos de esforço mental. A “lei do mínimo esforço” rege nossos processos e ações do dia a dia e interfere diretamente em nossa vida. Essa economia é uma enorme vantagem evolutiva desenvolvida ao longo de muitos anos, e os hábitos expressam muito bem essa máxima.

A todo momento nosso cérebro precisa realizar inúmeras ações, desde as mais simples (piscar o olho ou inalar o ar) até́ as mais complexas (programar um algoritmo ou se declarar para a pessoa amada). O simples fato de você estar vivo, consciente e olhando para esse texto, exige de você uma considerável quantidade de energia e de funcionamento cerebral. Seu cérebro deve reconhecer os caracteres utilizados, agrupá-los de uma forma que você aprendeu provavelmente na infância e deve extrair e interpretar o sentido das palavras originadas. Além disso, ele continua controlando sua respiração e o movimento de seus olhos. Ele controla as emoções que foram evocadas a partir das palavras que você acabou de ler. Ele segue monitorando o barulho lá fora na rua e a digestão da sua ultima refeição (provavelmente agora mesmo você prestou atenção nos barulhos da rua ou lembrou-se do que comeu). Isso tudo sem que você se esqueça do nome da sua mãe ou de onde está nesse momento. Você já́ havia reparado em tudo o que está envolvida nesse “simples” momento de consciência?

É por isso que precisamos de energia mental disponível e economizada: para manejar a quantidade e a complexidade das coisas que fazemos a todo instante.

Além do que dissemos sobre o esforço mental, devemos entender que, enquanto seres humanos, nós não somos tão racionais quanto imaginamos ser: nossa racionalidade é limitada e está́ vulnerável a inúmeros erros que cometemos diariamente, sendo que alguns deles são característicos do nosso estilo limitado de raciocínio.

Como seres racionais, a maior parte das nossas escolhas então nos parece decisões que são tomadas com bastante cautela a todo momento (principalmente se você gosta de se ver como uma pessoa analítica e ponderada). Mas o fato é que boa parte das nossas ações e decisões nada mais são do que hábitos.

O hábito é uma escolha que tomamos, a princípio deliberadamente, e que posteriormente paramos de pensar a respeito. Em certo momento, nossas decisões são de fato deliberadas, então decidimos: a quantidade de salada no prato, parar no sinal vermelho, qual marcha engatar no carro, qual o melhor caminho para voltar para casa…mas a partir do momento que seu cérebro se acostuma com aquela escolha, ela deixa de ser feita por você e se torna automática.

Temos então que, ao invés de raciocínio lógico, utilizamos alguns impulsos e estratégias que poucos conhecem ou entendem para reger nossa vida diária. Essas decisões nos ajudam a resolver muitos problemas que as vezes nem nos damos conta que passou pela nossa tomada de decisão (o dilema do sinal amarelo: acelerar ou freiar, por exemplo). Em contextos de pressão para resposta, e de racionalidade limitada, tendemos a responder conforme estamos habituados, mesmo tendendo a pensar que racionalmente decidimos.

 Por fim, deixamos duas questões para gastar um pouco mais de sua energia mental: nesse processo da automatização dos nossos hábitos, como você acha que seu cérebro decide se um hábito é bom ou ruim para você? E como podemos mudar os hábitos que são tão automáticos e funcionais?

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Créditos da imagem: @francescociccolella – Francesco Ciccolella

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