Psiquiatra da Infância e Adolescência: quando devo procurar ?

Psiquiatra da Infância e Adolescência: quando devo procurar ?

Por Alberto Garcia Dornelas (CRM-MG 57649/CRM-SP 193840)

A tarefa de exercer a maternidade e∕ ou paternidade tem sido um dos objetivos ao se constituir uma família, independentemente do formato adotado. Muito embora tais papeis sejam recompensadores para maioria dos pais, invariavelmente, seus filhos podem adoecer. Portanto, reconhecer esse adoecimento e saber a quem recorrer caso ele aconteça acaba sendo necessário.  O objetivo desse texto é apresentar algumas considerações sobre o adoecimento mental na infância e adolescência e também apresentar como o psiquiatra de infância pode ajudar nessas situações.

Adoecimento mental na infância e adolescência

Quando se pensa em adoecimento mental na infância e adolescência diversas imagens podem vir à mente. É importante considerar que o adolescente não é um adulto jovem, tampouco uma criança é um adulto em miniatura.  A infância e adolescência correspondem a períodos de progressivas e intensas mudanças cerebrais e desenvolvimentais.  A compreensão do adoecimento mental requer entendimento sobre o desenvolvimento normal de uma criança, em cada uma de suas fases. Imaginar o adoecimento mental de uma criança pode ser perturbador e estranho, especialmente se ela não foi exposta a um grande trauma ou adversidade. Por exemplo a noção de depressão que se inicia precocemente na infância, de alguma forma, entre em conflito com o desejo de que essa seja uma fase essencialmente alegre da vida. Não parece natural que crianças sofram de uma condição que, muitas vezes, se imagina como exclusiva dos adultos. Também, não só é desafiador considerar essa possibilidade, como é o processo de avaliar adequadamente a apresentação clínica, pois a maneira como as crianças entendem o mundo ao seu redor e expressam suas emoções difere (e muito!) da maneira dos adultos.

A adolescência, por sua vez, também tem suas particularidades. À medida que se dá o amadurecimento cognitivo, o pensamento abstrato evolui, permitindo ao jovem hipotetizar, questionar e refletir sobre diferentes possibilidades. Ao mesmo tempo, aparecem novas necessidades, acompanhadas de crescentes responsabilidades, sendo a adolescência um rico período na estruturação do psiquismo.  Com novos desafios, novas vulnerabilidades surgem, e por isso o adoecimento psíquico também pode atingir essa população. Nessa fase, o adoecimento mental se parece mais àquela do adulto, com o possível aparecimento de delírios e alucinações, depressões e tentativas de suicídio, problemas de conduta e síndromes ansiosas, dentre outros.

E a Psiquiatria de Infância e Adolescência?

A psiquiatria é o ramo da medicina que mais se desenvolveu nas últimas décadas, principalmente em decorrência do avanço tecnológico e do conhecimento nas neurociências.  As intervenções atuais não buscam apenas tratar doenças, mas também, prevenir e promover Saúde Mental. A Psiquiatria da Infância é uma especialidade médica dentro do campo da Psiquiatria. São seis anos de graduação em Medicina, 3 anos de Residência Médica em Psiquiatria, e 1 ano em formação exclusiva voltada à Infância e Adolescência, ou seja, são necessários dez anos para se completar  a formação inicial do Psiquiatra de Infância e Adolescência.
A Psiquiatria da Infância e Adolescência é uma especialidade médica que visa a compreensão, o tratamento e a prevenção dos problemas emocionais e comportamentais de crianças e adolescentes. As intervenções são amplas, envolvendo paciente, familiares e ambientes sociais frequentados pelo indivíduo – em especial a escola. É relativamente comum que os pacientes necessitem de acompanhamento multidisciplinar visando resultados eficazes. O tratamento medicamentoso também pode ser recomendado, porém não é a primeira nem principal escolha em parcela considerável dos casos, sendo reservado a contextos e condições específicas.

O que faz o Psiquiatra de Infância e Adolescência?

De maneira resumida, o Psiquiatra de Infância e Adolescência:

  • Avalia o estado mental e condições psicopatológicas de crianças e adolescentes, através de: entrevistas, exames, observação direta do comportamento com o objetivo de formular diagnóstico , e exclusão de outras condições médicas que componham o conjunto de diagnósticos diferenciais dos sintomas em avaliação. A avaliação clínica psiquiátrica da criança e do adolescente, que inclui a avaliação do seu ambiente e cuidadores, corresponde ao cerne da especialidade.
  • Propõe e conduz intervenções psicoterápicas, que podem ser focais e pontuais, ou abrangentes e continuadas, de acordo com o melhor benefício do paciente e seus cuidadores, com a participação e colaboração estreita multiprofissional e interdisciplinar, com as demais profissões envolvidas no cuidado de pacientes psiquiátricos, incluindo a Pediatria Geral, a Neurologia Infantil e as demais profissões do campo da Saúde Mental.
  • É responsável pela indicação, prescrição e acompanhamento de terapias psicofarmacológicas, assim como pelas decisões relativas à hospitalização psiquiátrica, e pelo apoio nas avaliações para fins periciais ou relativas à justiça da infância.
  • O psiquiatra da infância e adolescência trabalha estreitamente com outros profissionais do campo da Saúde Mental da Infância e Adolescência, como: assistentes sociais, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, educadores especializados, entre outros.

 

Pensando nessas possibilidades, ao que devemos nos atentar? Quais são os “sinais e sintomas” de adoecimento mental?

A gama de apresentações passíveis de abordagem pelo Psiquiatra de Infância e Adolescência é ampla. Abaixo relaciono algumas das mais comuns:

  • Hiperatividade, impulsividade, agitação, inquietude, desatenção: se acontecem em intensidade∕ frequência que provocam prejuízo na socialização, aprendizagem, interação com a família.
  • Atrasos do desenvolvimento: atraso no aquisição e desenvolvimento de fala e linguagem, atraso na marcha, na coordenação motora, interação social. Muitas vezes o acompanhamento é realizado em conjunto com outras especialidades.
  • Dificuldades de aprendizagem: as dificuldades de aprendizagem podem ser devidas a quadro de adoecimento mental e podem aparecer como um denominador comum de vários quadros distintos. Pode ser secundária a um quadro de ansiedade ou depressão, dislexia, conflitos familiares, insuficiência de estímulos, déficit intelectivo, TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade).
  • Quadros comportamentais e de humor: ansiedade, depressão, comportamentos agressivos ou hostis, delinquência (quadros de conduta desviante), irritabilidade.
  • Quadros psicóticos: Esquizofrenia e outros
  • Quadros relacionados a uso de substâncias: consumo de drogas.

 

Como diagnosticar e tratar adoecimento mental na criança e adolescente?

O primeiro passo é identificar a presença do problema. A partir daí avaliações detalhadas e especializadas se tornam necessárias. É relativamente comum haver a necessidade de duas ou mais consultas para determinar o diagnóstico e estabelecer-se o plano terapêutico inicial. Nesse contexto, o suporte familiar é indispensável, uma vez que essa família será o fator de contenção afetiva necessário para que o processo terapêutico seja eficaz. A abordagem tem que ser integral, multidimensional e, na maioria das vezes, multi ou transdisciplinar. Dentre as abordagens, psicoterapia individual, psicoterapia familiar, treinamento parental, orientações escolares, avaliações e reabilitações fonoaudiológicas e ocupacionais se tornam elos muito importantes do tratamento.  Veja: embora a abordagem psicofarmacológica seja muito importância em diversos casos, ela não é a única opção, muito menos é uma opção exclusiva!
Hoje já conhecemos a maneira pela qual se dá o desenvolvimento psíquico (cognitivo, social, emocional) e como esse desenvolvimento contribuirá e determinará o modo de ser e estar do adulto em grande parte. Dessa forma, a prevenção e a promoção de Saúde Mental são pilares fundamentais. Sendo assim, quando uma intervenção terapêutica for necessária, ela deverá ser realizada por profissionais qualificados e especializados para adequada Assistência Individual e Familiar.

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